A VERDADEIRA HISTÓRIA DO BURACO DE CARAGUATATUBA


Talvez, quando o Coronel Edgard Armond

Previu as movimentações de longos comboios,

Tenha surgido em sua mente e em seu intento

A ideia da rodovia estadual dos Tamoios

 

Ligar o Planalto ao litoral norte do Estado

Era uma ideia que não podia ficar só no papel

E construir tantos buracos pra sair de Caraguatatuba

Tenha sido a semente da grande obra do então Coronel.

 

Todavia, passados mais de noventa anos

E indolentemente lançada ao vácuo;

Caraguatatuba volta às notícias

Pela incúria de um buraco.

 

Ali no CDP José Eduardo Marinz de Oliveira

Há alguns quilômetros da praia distante;

Onde nunca, nunca, uma fuga de presos

Tinha sido registrada antes.

 

Foi preciso que um preso esgueirasse

Por uma abertura um tanto pequena;

Para mostrar para toda a sociedade

O tamanho do buraco que está o sistema.

 

O preso que morosamente fugiu

De forma cognoscível e tão devassada;

Tão singular não resta nenhuma dúvida

Que foi uma fuga facilitada.

 

Facilitada sim, pela inércia deste governo

Incompetente e surreal;

Incapaz de tampar os buracos

Que ele próprio fez no sistema prisional.

 

O estado em que se encontra o sistema penitenciário

É uma pedra de gelo que todo dia se enxuga;

Porque é o Estado legal que facilita a prisão

E esse governo irracional que facilita a fuga.

 

Pelo fato de o sistema penitenciário estar em ruínas

E completamente desestruturado

É tangível a improficiência desse governo

Que joga a culpa no peito de Estado.

 

Uma secretaria refém do clientelismo,

Um secretário inerte um Diretor Geral muito fraco;

Incapazes e sem atitudes

Pra tampar tantos buracos.

 

Buracos causados pela letargia

Causada pelo déficit funcional;

Que muito em breve e drasticamente

Vai levar esse sistema penitenciário ao caos.

 

O déficit funcional que estrangula o efetivo

Que restou com o que resta dos cacos;

Que se pode juntar desse sistema

Tragado por seus buracos.

 

Em Caraguatatuba os Policiais Penais são intrépidos

São probos, são dignos e audazes;

Não iriam facilitar fugas insólitas

Em buraqueiras quais os tornam incapazes.

 

Em Caraguatatuba os Policiais Penais são retos

Não negociariam sua dignidade;

Com fações criminosas criadas à sombra do Estado

E que recebem desse governo facilidades.

 

Em Caraguatatuba os Policiais Penais são legalistas

E não exercem suas funções a ermo;

Porque passam o ano todo tampando buracos

Abertos pela incongruência desse governo.

 

A culpa disso é do governador

Que fechou seus ouvidos pro clamor penitenciário;

Desse Diretor Geral de Polícia Penal engessado

E da incapacidade desse secretário.

 

Secretário que não conhece uma carceragem,

Não conhece uma muralha, uma portaria;

E passa seus anos numa cadeira mórbida

Assinando demissões na sua secretaria.

 

Diretor Geral da Polícia Penal

Que veio da chave, do chão de cadeia...da inteligência;

Mas que se rende a calar sua boca

Pra não se contrapor à incongruências.

 

Policiais Penais de Caraguatatuba

Brilhantes guerreiros nesse ambiente opaco;

Contem com a mão de todos os colegas

Pra saírem ilesos desse buraco.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

  1. Um coordenador oficial administrativo rodeado de puxa saco.

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  2. O que esperar do Direitor Alan Carlos Scarabel de Souza que é um noia conhecido como farofa. O mesmo possuía um boteco no Rio do Ouro na época que era Supervisor Técnico. A Mulher do detento Xaripino juntamente com a vagabundagem colocou ele pra correr de lá. Pesquisem no Google Scarabel adegasbar e tirem suas conclusões. Outra coisa que aconteceu e foi abafado: soltaram um preso "errado" e a mãe do detento o levou de volta para a unidade prisional e não foi aberto apuração preliminar. Esse Alan é uma tranqueira.

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  3. Os primeiros "poemas" até que eram legais, narrando com bom humor fatos atípicos do cotidiano da nossa difícil atividade, mas agora você se perdeu "nas ideias", os "poemas" ficaram pesados, com viés político, alinhado com o discurso de sindicalistas que nunca suaram a camisa dentro de uma UP. Eu trabalhei com o atual Diretor-geral no início da carreira dele, é a pessoa mais dedicada a polícia penal que acompanhei nos meus 26 anos de trabalho. Pergunta pra quem trabalhou com ele em Iaras, Araraquara, e por último, no complexo penal de Caiuá, sobre a pessoa dele. Profissional exemplar! Pelo que ouvi falar, bem diferente de você, carregado na 'licença tratamento de saúde", deixando os colegas de trabalho na mão.

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    1. irmão, na boa. Não lambe o saco não porque aquele seu amiguinho que voce conheceu la atras e que hoje é DGPP quer mais é que voce se FODA! Ele nunca vai te defender como vc ta defendendo ele. O poeta tá certo.

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  4. Eu acho que você está bastante equivocado e pelo jeito não entendeu o espírito do poema. Não tirei os méritos do DGPP que também conheço bem. Só que o cargo que ele ocupa poderia fazer muito mais pela Polícia Penal e, nem o faz nem o fará porque ele é um diretor engessado. Nessa secretaria se obedece às ordens de coronéis. Enquanto coronéis mandarem nessa secretaria não adianta DGPP, não adianta sindicato...não adianta nada, e quanto a mim, se informa melhor.

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    1. Wiltinho não esquenta a cabeça com esse Zé não
      Afinal toda capivara tem seu carrapato.

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    2. kkkkkkkkkkkk....é verdade. Eu estou aqui, aguardando ele postar um comentário se identificando; foi promessa dele. Passei meu celular, meus e-mails, o meu ramal lá na unidade de Suzano, mas até agora nada.

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  5. Esse aí deve ser algum lambe ovo, chupa saco de graça. Relaxa poeta, tamo junto com voce. Deve ser um correria que vive se jogando. lambe ovo.

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  6. Há uma pessoa que vem me criticando de forma excessiva em razão do poema sobre Caraguatatuba, encaminhando comentários carregados de nervosismo e irritação pelo fato de eu ter feito críticas ao Governador, ao Secretário e ao DGPP.

    Aos que ouviram atentamente o poema, fica claro que em nenhum momento houve desrespeito. Ao contrário: fiz questão de reconhecer e elogiar a trajetória do DGPP, destacando que ele veio do chão da cadeia, da chave e do setor de inteligência — um fato incontestável.

    O Dr. Rodrigo não foi indicado por acaso. Sua nomeação se deu em razão de atributos e qualidades que o credenciam ao cargo, e eu, inclusive, tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. A reflexão que proponho, no entanto, diz respeito ao fato de que, investido de um posto tão relevante dentro da estrutura da Polícia Penal, ainda não se percebe o empenho esperado em pautas que vêm gerando grande apreensão na categoria.

    Entre elas estão o pagamento do bônus, a urgência de medidas diante do grave déficit funcional que vem asfixiando o efetivo, as LPTs, o concurso para mulheres, entre tantas outras demandas que não caberiam integralmente neste espaço.

    Nossas unidades prisionais enfrentam um cenário crítico. Estabelecimentos como a Penitenciária Feminina de Santana, o CDP de Vila Independência e muitas outras operam no limite, o que tem provocado um quadro generalizado de esgotamento físico e emocional dos servidores.

    O sistema penitenciário paulista caminha para um colapso caso não sejam apresentadas soluções concretas e eficazes a curto prazo.

    Por fim, ao colega que opta por críticas anônimas, deixo o convite para que se identifique, assim como eu faço ao assinar minhas opiniões. O debate franco, aberto e respeitoso sempre será bem-vindo.

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    1. O cara que critica deve ser algum seguro do administrativo e outra, tem que relatar mesmo. O Alan juntamente com sua corja de diretores incompentes soltou anteriormente alguns presos errados, onde um deles foi devolvido por sua mãe e outro foi impedido de sair pela bravura da servidora Márcia que não pecou os procedimentos de segurança. Gostaria de saber Alan Scarabel de Souza o porquê você não instaurou apuração preliminar... porquê será!!!!

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    2. A Covardia do Anonimato vs. O Peso da Responsabilidade, como posso dizer isso sem parecer ofensivo? É muito fácil tecer críticas ácidas e "voar" na cara de quem trabalha quando se está protegido pelo anonimato. A verdadeira coragem não está em escrever textos contundentes nas sombras, mas em assinar o que se diz e sustentar as próprias opiniões no debate direto. O anonimato, longe de ser um "escudo", é uma maneira vergonhosa de lançar dúvidas sobre o caráter de profissionais que dão o sangue todos os dias. Quem tem a verdade e a legalidade ao seu lado não precisa de pseudônimos; apresenta-se e assume o ônus da sua voz. O Poeta da SAP destaca-se por uma virtude. que anda escassa: a coragem de dar a cara a bater.

      Ele não se esconde atrás de pseudônimos ou de um lirismo abstrato; ele assina o que pensa. Sua voz ousa tocar em feridas abertas, questionando estruturas e expondo contradições que muitos preferem ignorar e ao criticar, ele deixa de ser um indivíduo isolado para se tornar o eco de tantos outros que sentem, mas não podem — ou não conseguem — falar.

      Vivemos tempos de "cancelamentos" e retaliações veladas. Nesse contexto, ser uma voz dissonante exige um vigor moral fora do comum. O Poeta da SAP entende que a verdadeira arte não existe para decorar paredes, mas para abalar certezas. Ele aceita o risco da crítica porque sabe que a omissão seria um preço alto demais para sua integridade.

      Sua coragem serve de combustível para quem o lê e ouve . Ele prova que a poesia ainda é uma arma carregada de futuro e que o intelecto, quando aliado à bravura, é capaz de furar as bolhas mais resistentes. Honrar o Poeta da SAP é celebrar a liberdade de expressão em sua forma mais pura e perigosa: aquela que não pede licença para dizer a verdade.

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  7. Eu me identifico, sim, desde que você também tenha a responsabilidade de expor todos os meus comentários e os dos demais colegas, inclusive aqueles que não denigrem nossa categoria nem nossos dirigentes, que estão à frente da Polícia Penal.

    Que sejam igualmente apresentados os comentários classificados como “ofensivos”, bem como os verdadeiros — tanto os negativos quanto os positivos — sobre você, suas opiniões, sobre a gestão e sobre nós que estamos todos os dias na linha de frente, combatendo o crime organizado.

    Enquanto isso, você permanece afastado por sucessivos atestados, em vez de estar junto conosco buscando soluções para os problemas da classe. Prefere dedicar tempo à produção de textos e manifestações que não contribuem de forma construtiva e acabam por fragilizar a imagem institucional da qual ambos fazemos parte.

    Essas manifestações serão levadas ao conhecimento do governador, do secretário e do DGPP, para a devida análise. Caberá a eles avaliar o conteúdo e os impactos gerados.

    Ressalto ainda que o anonimato utilizado para disseminar comentários maldosos não garante impunidade, uma vez que existem meios legais de identificação dos responsáveis.

    Solicito, portanto, que este posicionamento seja publicado, para que eu possa me identificar formalmente e realizar um debate direto, transparente e responsável.

    Por fim, faço um alerta há você e demais anônimos aí te apoiando…tem colegas nossos de serviço, respondendo a processos administrativos e que dependem exclusivamente de seus vencimentos para o sustento de suas famílias. Comentários irresponsáveis podem gerar consequências graves. O salário pode não ser elevado, mas sua ausência impacta diretamente a vida de quem o recebe.

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    1. Meu amigo, você está bastante equivocado a meu respeito. Percebo em suas palavras nervosismo e irritação dirigidos à minha pessoa, em defesa de superiores que, muito provavelmente, não estarão ao seu lado caso um dia você venha a enfrentar uma situação delicada ou até mesmo responder a um procedimento administrativo. Ainda assim, é um direito seu defendê-los, e eu respeito isso.

      Vou responder por partes, para que não haja dúvidas.

      Primeiro: todos os comentários são publicados, inclusive os seus, marcados pela indignação diante das críticas que fiz em meu cordel. Eles estão visíveis a todos que acompanham o blog.

      Segundo: por ter vivenciado censura sistemática dentro da Secretaria, sou totalmente avesso a qualquer forma de censura. Por isso, não excluo comentários de colegas, mesmo quando são críticos à minha pessoa. Basta acompanhar o blog para constatar.

      Terceiro: os comentários que publico, vindos de colegas de diferentes regiões do Estado, não são apenas críticos, mas também elogiosos. Há, sim, manifestações positivas, assim como críticas e desabafos, reflexo do cansaço diante de perseguições e do assédio moral, realidade que você certamente conhece.

      Quarto: minhas opiniões sobre a gestão refletem o pensamento de uma parcela significativa dos servidores. Não se trata de uma visão unilateral, mas da percepção de uma categoria inteira. Isso, em momento algum, desmerece o trabalho da Polícia Penal, instituição da qual me orgulho em fazer parte. Exerço, de forma responsável, meu direito constitucional à crítica, especialmente em relação à administração pública, justamente por ser servidor público e por acreditar no princípio da transparência.

      Quinto: não estou afastado nem de atestado. Creio que você esteja me confundindo com outra pessoa. Trabalho há treze anos e meio no turno 1 da carceragem do Centro de Detenção Provisória de Suzano. Tenho excelente relacionamento com meus diretores e com colegas de todos os turnos, bem como com a muralha, o CIR e o setor administrativo.

      Quanto aos processos administrativos que respondi, não me envergonham em absolutamente nada. Pelo contrário, fazem parte da minha trajetória e jamais estiveram relacionados a favorecimento ilícito, crimes contra a administração pública, peculato, improbidade administrativa ou qualquer outra conduta desse tipo.

      Meus afastamentos ocorreram por motivos pertinentes. Tenho 61 anos, sou diabético, enfrentei problemas de ansiedade e faço uso de medicação controlada. Ainda assim, foi por iniciativa própria que solicitei ao perito o meu retorno ao trabalho.

      Se minhas críticas aos desmandos da Secretaria e ao desmantelamento do sistema lhe causam incômodo, não fique bravo comigo. Prefiro o diálogo. Ligue para mim, conversemos com tranquilidade.

      Meu celular é (11) 91571-1855; no CDP de Suzano, meu ramal é 226. Neste mês, estou como zelador do Pavilhão 2. Se preferir, envie um e-mail para wiltinhowb@gmail.com
      , ou entre em contato pelo Instagram (Wiltinho Poeta) ou pelo Facebook (Wiltinho Viana).

      Fico à disposição para uma conversa franca e respeitosa. Um dia, acredito, você compreenderá o que hoje critico. Vamos marcar pra gente tomar um café...você deve ser um cara bacana.

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  8. Se não quiser se identificar no meu blog me chama no Whatsap

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  9. CDP de Caraguatatuba, num lugar longe de tudo e com poucos "guardas" desde sua inauguração, história é mais complexa do que podemos imaginar,aliados a alguns comentários anônimos que de fato após o ocorrido poderá perder a "boquinha" criticar é inerte do ser humano e ajudar trabalhando com o mínimo e passando o plantão sem novidades é nosso dever.

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    1. Poxa vida Carlos, é isso mesmo irmão. E foi bem isso que eu tentei relatar no meu poema. O problema é que tem uma turma aí, a troco de não sei o que, querendo provar que houve facilitação de fuga ali. Eu, particularmente, não acredito que os Policiais Penais de Caraguatatuba se dariam a isso, ainda mais de um "bunda rachada" que vendia picolé nas ruas de Ilha Bela.

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  10. Nota do autor:
    Este cordel possui caráter estritamente literário e crítico, voltado à reflexão sobre políticas públicas e escolhas administrativas. Não se trata de ataque a servidores, colegas de trabalho ou à instituição da qual faço parte, pela qual nutro respeito e orgulho. Eventuais críticas referem-se exclusivamente a decisões governamentais e à ausência histórica de políticas estruturantes.

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