A P2 DE VENCESLAU; A CADEIA DO CHEFÃO QUE AJUDA OS AMIGOS
Durante muito tempo em São Paulo, o povo
Alimentou uma percepção imaginária;
De que a tranquila cidade de Venceslau
Remetia apenas à ideia de penitenciária.
O fato de a cidade estar sempre na mídia
Falando de criminosos de noite e de dia;
Fazia as pessoas ficarem com medo
Até de passar pela rodovia.
A P2 de Venceslau dentro desse espectro
Passou a ser o calcanhar de Aquiles do Estado;
E por muito tempo a morada sombria
Dos chefões do crime organizado.
No entanto, com o bonde dos chefões do crime
Pra outro Estado e outra prisão;
A Penitenciária Dois de Venceslau
Agora tem um outro chefão.
Um homem fugaz que comanda a equipe com arbítrio
E não tolera ninguém divergir;
E não tem quem ousa contestar uma ordem
Que ele manda cumprir.
O que se fala na P2, é que no corpo da guarda
Ele vinha fazendo uma gestão comedida;
Mas de uns dias pra cá vem tratando os policiais
Com dois pesos e duas medidas.
Atrapalhado e cheio de parcialidade
Ele nem se sente incomodado;
E atribui os postos e os melhores horários
Aos amigos e os mais chegados.
Acontece que há uns tempos desses atrás
Uma certa pessoa falou que ele veio;
E disse que iria distribuir os turnos
Mas que iria fazer um sorteio.
Pegou os nomes de todos os guardas
De uma listagem que ele tinha;
Escreveu nos pedaços de papeis, dobrou
E colocou dentro de uma sacolinha.
No interim ele fez o sorteio
E conforme cada nome saía;
Uns ele mandava para os turnos da noite
E outros para os turnos do dia.
Mas certo guarda que trabalha na muralha
E que pediu que seu nome ficasse numa boa;
Falou que na sacolinha que ele pôs os nomes
Faltaram os nomes de três pessoas.
Segundo esse guarda, as três pessoas
Falaram depois não saber de nada;
Mas eram amigos bastante chegados
Para os quais ele iria arranjar uma gaiada.
Em Venceslau, os policiais penais da muralha
Está uma tropa totalmente revoltada;
Porque, só quem é amigo do chefão
Goza de sombra e água gelada.
Eles falam que o chefão é injusto
E tem o pensamento muito pequeno;
Tira um guarda aqui, põe outro guarda ali
Só pra pagar um veneno.
Sem muito o que falar, o Diretor da cadeia
Quer evitar que haja receio;
E vai mandar colocar os nomes num saco
E ele vai ter que fazer um novo sorteio.
Disse também que se ele fizer cambalacho outra vez
Vai ser obrigado mandar embora;
Ele acaba com o sorteio
E tira o saco pra fora
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