A PENITENCIÁRIA DE PARELHEIROS E O PRESO QUE DÁ APOIO À POLÍCIA PENAL


 

A Penitenciária de Parelheiros é um misto

De sistema carcerário com vida rural;

Porque, das onze cadeias da cidade é a única que fica

Mais distante do centro da capital.


Pra chegar é preciso ir pela 23 de maio

Pegar a alça contínua da avenida Rubens Berta;

Depois seguir pela Washington Luiz

E atravessar a zona sul pelas vias abertas.


Entrar pela famosa avenida Interlagos

Depois pegar a Teotônio Villela;

E a Ecoturística que vai dar em Parelheiros 

E chegando está a cinco minutos dela.


Mas a diferença para outras unidades do Estado

E onde há ausência de semelhanças;

É que em Parelheiros o Diretor da cadeia 

Tem os seus presos de confiança.


Esses presos são presos que têm carta branca

E em Parelheiros têm conceito de comendador;

E o que os guardas comentam pelos cantinhos

É que eles são chamados de presos do diretor.


Eles cuidam das casas que têm na vila

Onde moram os cabeças da direção;

Passam o olho e fazem até segurança 

Pra evitar de entrar ladrão.


Certo guarda que pediu pra ficar em oculto

E quem tem medo de causar dissabor;

Falou que um desses presos dirige o carro

E faz serviços de bordo para o Diretor.


Falou também que  por ser de confiança

O Diretor não deixa o tratarem com desprezo;

Construiu lá fora um  quartinho para ele

Morar separado dos outros presos.


Segundo também relatou outro guarda

Que devido ao déficit funcional;

O tal preso ficou bastante evidente

Por dar apoio à Polícia Penal.


Acontece que num desses dias atrás

Algumas horas após o dia raiar;

A corregedoria baixou em Parelheiros 

Pra pegar uma denúncia de celular.


Ao chegar mandou que trancassem os presos

Reviraram picuás, arrancaram retalhos;

E mandou que fizessem uma varredura completa

No depósito dos trabalhos.


Pegaram um celular escondido na laje

Num mocó da frota onde fica o caminhão;

Mais dois celulares escondidos num trator

Que puxa o lixo e atraca a alimentação. 


Uma Policial Penal que trabalha ali

Disse que nunca ter visto tanto celular;

E com tanto presos de confiança

Não tem como a cadeia ficar fora do ar.


Um certo guarda que fez parte da blitz

Ouviu alguém cochichar com o corregedor;

Quem um dos celulares sequestrados seria

Do tal preso de confiança do Diretor.


De praxe o celular do preso foi confiscado

E passará por uma minuciosa checagem;

Pra saber com quem ele falava

E de quem ele recebia mensagem.


Por precaução e por segurança 

Também quer saber o corregedor;

Se no celular tem fotos do carro

Ou do quarto do Diretor.


Mas se não descobrirem mensagens estranhas

E o conteúdo não for indefeso;

Eles vão devolver o celular

Pra quem é de confiança do preso.


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