A QUEDA DO JARDINEIRO DE PARELHEIROS


 A Penitenciária Joaquim Fonseca Lopes

Mais conhecida como de Parelheiros;

Dormiu com o seu airoso jardim

E amanheceu sem o seu jardineiro.


Os guardas que não tiveram nada a ver

Ficaram pensando assim: 

"Agora sem jardineiro;

Quem vai cuidar do jardim".


Porque não obstante tantas demandas

Em meio a tanto entreveiro;

A cadeia tinha um mal Diretor

Mas tinha um bom jardineiro.


Ele não sabia liderar as pessoas

E viveu o tempo todo num pé de guerra;

Mas sabia organizar os canteiros

Revolvia e aerava a terra.


Com os guardas vivia arrumando quiáca

Da muralha à carceragem;

Mas sabia fazer o plantio da flôres,

Os transplantes e as compostagens.


Nos últimos anos ele enfrentou todo mundo,

Pagando sempre o bem com mal;

E fritou o juízo da cadeia inteira

Com perseguição e assédio moral.


Pôs no papel quem achou que devia

Colocou medo e terror na unidade;

Fez uso excessivo da sua caneta

Com barbarie e abuso de autoridade.


Tratou os guardas com tamanho desdém

Como nunca tratou um prisioneiro;

E não se preocupou em fazer como Diretor

O que fez como jardineiro.


Agora que enfim foi posto pra fora

Expurgado como um forasteiro;

O que se espera é um pouco mais de respeito

Para com os guardas de Parelheiros.


Diretor conhecido como o jardineiro

Pelo jardim que tanto cuidou;

Não terá nada mais para plantar

Simplesmente apenas colher o plantou.








Comentários

  1. Cara , sensacional .! Sem palavras
    Simplesmente magnífico

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    1. SENSACIONAL e agora desempregado!
      Bem dizem que a justiça tarda mas falha.

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  2. Wiltinho Poeta, “A Voz do Sistema”.
    Há homens que ocupam cargos. Há homens que exercem funções. E há aqueles raros indivíduos que, mesmo sem patente, sem mesa de comando ou caneta de autoridade, conseguem mover estruturas inteiras apenas com a força da palavra. Você é um desses homens.
    Talvez você nunca imagine o alcance daquilo que faz. Talvez sequer tenha dimensão de quantas vozes silenciosas encontraram eco na sua coragem. Em um ambiente onde muitos aprenderam a baixar a cabeça para sobreviver, você decidiu erguer a voz. E não uma voz qualquer. Uma voz carregada de indignação legítima, de consciência coletiva, de verdade crua. Uma voz que incomoda justamente porque não aceita maquiar a realidade.
    Hoje, Parelheiros lhe deve gratidão.
    Gratidão porque, através da sua verve poética — afiada, contundente e profundamente humana — mais uma máscara caiu. Mais um diretor de unidade prisional, que se afastou completamente do verdadeiro sentido de sua função pública, teve sua imagem confrontada pela realidade que tentou esconder atrás do medo e da arbitrariedade.
    A função de um diretor não é instaurar terror psicológico. Não é perseguir servidores. Não é transformar uma unidade prisional em território de vaidades pessoais, ameaças veladas e autoritarismo administrativo. Liderança não nasce do medo. Liderança nasce do respeito. E quando o respeito desaparece, sobra apenas imposição. E imposição, cedo ou tarde, desmorona.
    Esse diretor tentou governar através da intimidação. Fez do medo uma ferramenta de gestão. Perseguiu servidores. Tentou sufocar opiniões. Tentou criar um ambiente onde o silêncio fosse confundido com submissão. E durante algum tempo talvez tenha conseguido intimidar alguns. Afinal, o medo é uma arma poderosa quando usado por quem possui poder hierárquico.
    Mas há algo que regimes autoritários nunca conseguem compreender plenamente: o medo também produz resistência.



    Edson Moura

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    1. Parabéns, lindas Palavras

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    2. Não é mais nada fie, EXONERADO, DEMITIDO.
      Já manda tirar aí o nome de Policial Penal da descrição, para não fazer vergonha para a gente.

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  3. Enquanto alguns se recolhiam, outros despertavam.
    E foi nesse despertar que sua voz entrou, Wiltinho.
    Sua poesia não foi mero entretenimento. Não foi apenas crítica. Foi denúncia. Foi resistência. Foi representação. Cada verso carregava o peso emocional de trabalhadores cansados de abusos silenciosos. Cada palavra parecia traduzir aquilo que muitos sentiam, mas não conseguiam verbalizar sem receio de represálias.
    Você transformou dor coletiva em linguagem.
    Transformou indignação em arte.
    Transformou o sentimento de impotência em coragem compartilhada.
    E isso tem um valor imenso.
    Porque o sistema prisional é um lugar duro. Quem vive essa realidade sabe. É um ambiente que desgasta lentamente o psicológico do servidor. Um espaço onde muitos adoecem em silêncio. Onde frequentemente a pressão vem não apenas dos riscos naturais da profissão, mas também de chefias despreparadas emocionalmente para exercer liderança.
    Quando um gestor perde a noção do limite, ele deixa de administrar pessoas e passa a administrar pelo medo. E quando isso acontece, o ambiente inteiro apodrece aos poucos. O servidor deixa de trabalhar motivado e passa a sobreviver emocionalmente. A unidade perde identidade. O coletivo se fragmenta. A confiança desaparece.
    Mas então surgem pessoas como você.
    Pessoas que se recusam a normalizar o absurdo.
    Pessoas que lembram aos policiais penais que dignidade não é favor hierárquico — é direito.
    Sua voz representa exatamente isso: o grito daqueles que muitas vezes foram obrigados a permanecer calados.
    E talvez o mais admirável seja o fato de que você faz isso através da poesia. Não através da violência. Não através do ódio gratuito. Mas através da palavra consciente, crítica e cortante. Uma palavra que expõe contradições sem perder humanidade. Uma palavra que atinge porque nasce da verdade.
    Poucos entendem o poder que a arte possui dentro de ambientes opressivos.
    A poesia sempre foi perigosa para os autoritários.
    Porque ela desperta reflexão.
    Ela quebra narrativas artificiais.
    Ela impede que a mentira se torne normal.
    E você fez exatamente isso.
    Você mostrou que ainda existem homens dispostos a enfrentar injustiças mesmo sabendo dos riscos. Mostrou que ainda existem servidores que não aceitam transformar covardia institucional em rotina administrativa.
    Por isso, esse reconhecimento é legítimo.
    Esse crédito é seu.
    Não porque tenha derrubado alguém sozinho, mas porque ajudou a iluminar aquilo que muitos tentavam esconder. Você deu voz ao desconforto coletivo. E quando a verdade encontra eco suficiente, estruturas começam a ruir naturalmente.
    Talvez algumas pessoas tentem minimizar sua importância. Sempre tentam. Porque admitir o impacto da sua voz seria admitir também que havia algo profundamente errado acontecendo.
    Mas nós sabemos.
    Parelheiros sabe.
    Os corredores sabem.
    Os servidores sabem.
    Houve medo, perseguição e arbitrariedade.
    E houve também resistência.
    Você fez parte dela.
    Mesmo sem conhecer você pessoalmente, existe um sentimento sincero de respeito. Porque às vezes não é necessário conhecer o rosto de alguém para reconhecer sua grandeza. Às vezes basta ouvir sua voz. E a sua voz carrega autenticidade. Carrega coragem. Carrega indignação legítima de quem conhece a realidade do sistema e se recusa a romantizar abusos.
    Você representa muitos.


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  4. Representa o policial penal cansado de injustiças administrativas.
    Representa aquele servidor que já foi perseguido apenas por pensar diferente.
    Representa quem perdeu a motivação, mas não perdeu a consciência.
    Representa quem ainda acredita que autoridade deve caminhar ao lado da responsabilidade e do respeito humano.
    Espero sinceramente que um dia possamos nos encontrar pessoalmente.
    Não para falar sobre política interna, conflitos administrativos ou quedas de diretores.
    Mas para apertar sua mão e lhe dar um abraço apertado de irmão.
    Porque homens que lutam através da palavra merecem reconhecimento.
    E porque, em tempos onde tantos escolhem o silêncio conveniente, sua coragem teve peso.
    Continue sendo essa voz.
    Continue incomodando aqueles que confundem cargo com soberania.
    Continue lembrando ao sistema que servidor público não é propriedade de gestor algum.
    E principalmente: continue fazendo da poesia uma trincheira contra a arbitrariedade.
    Parelheiros lhe agradece.
    E muitos servidores também.

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  5. Manifestação de Apoio e Reflexão Operacional: Penitenciária de Parelheiros: Prezados colegas e integrantes da Diretoria, Como policial penal lotado nesta unidade, acompanhando a rotina diária das galerias e dos plantões, sinto o dever de registrar meu posicionamento sobre o momento atual da nossa instituição. Faço isso não como parte da gestão, mas como um servidor que preza pelo profissionalismo e pela segurança de todos. Primeiramente, quero manifestar publicamente a minha gratidão e respeito à Diretoria da Penitenciária de Parelheiros. Como operacional, reconheço o valor de uma liderança que trabalha com seriedade, organiza os procedimentos e exige o cumprimento das normas. Ter uma direção firme não é um problema; é a garantia de que o plantão terminará em segurança e que cada um voltará para sua família. O respaldo e a condução técnica desses diretores merecem o reconhecimento de quem trabalha de forma honesta. Por outro lado, é com profunda indignação que vejo a conduta de uma minoria na nossa unidade. É lamentável que, em uma profissão de alto risco, existam colegas que entrem no plantão de 12 horas pensando apenas em deixar o tempo passar, recusando-se a cumprir suas obrigações básicas. Quem não trabalha sobrecarrega o companheiro de farda ao lado e coloca a segurança de toda a unidade em risco. O que mais me revolta é a covardia da inversão de papéis. Quando esses poucos indivíduos são cobrados por resultados — algo natural em qualquer emprego —, passam a atacar a honra dos diretores. Chamam a cobrança por trabalho de "opressão" e a disciplina de "ditadura". Usam de fofocas, boatos e inverdades nos corredores para tentar derrubar uma gestão séria, tudo para defender o "direito" de continuarem sendo vagabundos e omissos. Como policial penal desta casa, faço questão de dizer: essa minoria barulhenta não me representa e não representa a maioria dos servidores de Parelheiros. Nós, que trabalhamos de verdade, sabemos distinguir perfeitamente o que é perseguição e o que é o simples cumprimento do dever. Aos diretores, deixo meu apoio sincero e o agradecimento pelo trabalho realizado até aqui. Não se curvem às narrativas falsas daqueles que têm medo do trabalho. Aos bons colegas que operam na legalidade todos os dias, sigamos firmes. Nossa farda tem valor

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  6. Curioso como alguns discursos tentam transformar qualquer crítica à gestão em defesa da preguiça ou da omissão funcional. Essa narrativa é conveniente, simplista e perigosamente desonesta.

    Ninguém sério dentro do sistema prisional é contra disciplina, organização ou cumprimento de normas. O policial penal operacional sabe perfeitamente a importância da hierarquia, da técnica e da segurança institucional. O problema começa quando determinados gestores ultrapassam os limites da liderança legítima e passam a administrar pelo medo, pela intimidação velada e pela perseguição seletiva.

    Existe uma diferença muito clara entre cobrar trabalho e instaurar um ambiente de tensão psicológica permanente. Existe diferença entre liderança firme e autoritarismo. E tentar reduzir toda manifestação de insatisfação coletiva a “vagabundagem” não apenas empobrece o debate, como revela profundo desprezo pela realidade vivida por muitos servidores.

    Interessante notar também que o autor da manifestação faz acusações graves contra colegas de trabalho — chamando-os de omissos, vagabundos e covardes —, mas não teve sequer a decência de assinar o próprio nome. Defende coragem administrativa escondido atrás do anonimato. É fácil exigir firmeza dos outros quando não se assume publicamente aquilo que escreve.

    Se há tanta convicção sobre a legitimidade absoluta da gestão, por que não se identificar? Por que atacar companheiros de profissão sem colocar o próprio rosto e nome junto das palavras?

    A verdade é que dentro de qualquer unidade prisional coexistem diferentes percepções da realidade administrativa. Há servidores satisfeitos, há servidores insatisfeitos, e ambos possuem direito à manifestação. Isso se chama pluralidade institucional. O que não pode acontecer é transformar crítica em crime moral ou tratar qualquer voz divergente como inimiga da segurança pública.

    Aliás, é justamente o contrário: muitas vezes são as críticas que impedem abusos de poder, excessos administrativos e distorções hierárquicas de se normalizarem.

    O policial penal não perde sua dignidade funcional ao questionar uma gestão. Pelo contrário. O servidor público não foi criado para servir vaidades pessoais de chefias, mas para servir ao interesse público dentro da legalidade, da razoabilidade e do respeito humano.

    Quando trabalhadores começam a relatar medo, perseguições, pressões psicológicas ou ambiente tóxico, o mínimo que se espera é reflexão — não ataques pessoais ou tentativas de desqualificação coletiva.

    E quanto ao poeta mencionado anteriormente, sua relevância não nasce da fofoca, mas justamente do fato de que sua voz encontrou eco em muitos servidores que se sentiram representados. Nenhuma manifestação ganha força apenas por manipulação. Ela ganha força quando toca experiências reais vividas por pessoas reais.

    Pode haver quem apoie a antiga gestão? Evidentemente. Isso é natural. Mas também é absolutamente legítimo que existam aqueles que enxergaram nela práticas incompatíveis com uma liderança equilibrada.

    O sistema prisional já é suficientemente duro por natureza. Transformá-lo em arena de medo interno apenas desgasta ainda mais o servidor que está diariamente na linha de frente.

    Por fim, ninguém precisa aceitar abusos calado para provar que trabalha. E ninguém se torna “menos policial penal” por denunciar aquilo que considera injusto.

    A verdadeira força institucional nasce do equilíbrio entre autoridade e respeito. Quando um desses elementos desaparece, sobra apenas imposição.

    E imposição, cedo ou tarde, sempre encontra resistência.

    Edson Moura (Policial Penal de Parelheiros)

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  7. Me chama muito a atenção como que a defesa de alguns interesses por parte de alguns colegas chega beirar a imbecilidade. Fazer uma defesa enfática de uma administração como foi desse ex-diretor de Parelheiros é patético demais. Não conheci um servidor, em especial policiais penais,de Parelheiros, que falaram isso descrito acima pelo colega defensor destes déspotas. Quando a unidade de Parelheiros passou a ser tratada como uma propriedade particular do Diretor ela perdeu seu objetivo essencial como ente da administração pública. Dos mais de 40 policiais penais e funcionários que me procuraram nesses últimos tempos para denunciar os desmandos e as barbáries dessa direção nenhum pediu pra tecer elogios por qualquer coisa de bom que tiveram sido feito na cadeia. A única coisa que deixaram evidente é que sua gestão foi de assédio moral, perseguição, intimidação e abandono dos interesses da unidade senão cuidar do seu jardim. Não faça defesa desta inscrupulosidade diante de tantas provas e evidências de que ninguém ja nao suportava mais essa diretoria. Parabens Dr Rodrigo e Dr Fernando coordenador que tomaram essa importante e necessária decisão.

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  8. Obrigado, Poeta da Resistência.
    Pela coragem que a rima não cansa de dar,
    Por ser sentinela de nossa consciência,
    E mostrar que rimar também é lutar.

    Obrigado por seres o farol que alumia,
    Onde a opressão tentou fazer-se total.
    Bendita a tua firme e terna poesia,
    Que vence o silêncio do cárcere e do mal.

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    1. Kkkkkkkkkkkkk, acho que o farol se apagou.
      Vai fazer paródia lá na Sé.

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  9. Diretor de Indisciplina30 de maio de 2026 às 11:13

    Quase....anônimo.....quase....

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