A PENITENCIÁRIA II DE SÃO VICENTE E A HISTÓRIA DO RAIO MAL ASSOMBRADO




O sistema penitenciário em São Vicente

Cidade que fica entre a serra e o oceano;

Somadas as idades das quatro cadeias

Chega a cento e quatorze anos.


O CPP com cinco anos é a cadeia caçula

E o CDP com vinte e quatro anos não está só;

A P2 com 36 anos é a filha adulta

E a P1 com quarenta e nove anos é a vovó.


Todavia com toda essa idade

Numa cidade em pleno desenvolvimento;

As cadeias do complexo de São Vicente

São uma coisa por fora e outra coisa por dentro


Por fora tem toda uma pintura bonita

Jardinagem e símbolos da Polícia Penal;

Mas por dentro das cadeias é o velho ditado:

“Casa de Ferreiro, espeto de pau”.

 

Acontece que num desses dias atras

Os “cabeça branca” da coordenação;

Baixaram no complexo de São Vicente

Pra fazer uma vistoria na manutenção.


Havia uma reclamação por parte dos guardas

Que até pediram pra se resguardar;

Que as unidades estão de tal forma

Que está sendo impossível de trabalhar.


Com a deterioração das estruturas dos prédios

Misturados a perseguição e assédio moral;

Os guardas falam que em São Vicente

A falta de expectativa é geral.


A equipe de Taubaté que foi ver as denúncias

E diante das quais não se indispôs;

Entrou para ver e ouvir de perto

As reclamações das condições da P2.


Foi então que ao entrarem num raio do lado par

O coordenador e a equipe que ele tinha;

As portas das celas lotadas de presos

Começaram a abrir sozinhas.


No momento de susto suscitou-se um pânico

E da forma tenebrosa que foi;

O coordenador queria correr pra viúva

E os presos correrem para o fundo do boi.


Ninguém até então sabia de fato

Os motivos do acontecido;

Se era um fantasma vagando no raio

Ou a alma de um preso que teria morrido.


Um certo guarda que presenciou o fato

E pediu pro seu nome não aparecer;

Falou que o homem levou um susto tão grande

Que quase teve um AVC.


Ao perguntar porque as celas se abriram sozinhas

E se houve pane na automação;

Os guardas falaram pro coordenador

Que era falta de manutenção.


Lá fora os botões que acionam o sistema

As vezes nem mesmo o guarda sabe;

Porque quando abre a cela fecha

E quando fecha a cela abre.


A preocupação que aflige a cadeia

E causa temor também;

É numa falha dessas os presos

Pegarem os guardas como refém


Uma pessoa falou que não era falta de verba

Mas talvez pressão sobre a diretoria;

Porque a P2 teve que devolver

Seiscentos mil reais pra secretaria. 


O que é difícil de entender

São as verdades que formam esses embaraços;

Uma secretaria com orçamente tão grande

E as cadeias caindo aos pedaços.


O grande peso que recai sobre as costas

Do policial penal do sistema paulista

Que antes lidava com facções criminosas

Que agora são terroristas.


Falta de equipamentos e manutenção

Grandes demandas estruturais;

E o salário do secretário da administração penitenciária

Que chega a quase cem mil reais.


Enquanto esses coronéis estiverem lá em cima

E rondando o fantasma da corrupção;

Os guardas do complexo penal de São Vicente

Vão ter que viver com essa assombração.





Comentários

  1. E não é que viraram terroristas sem nem mesmo saber o que fazem e o que querem os terroristas! E o guarda coitado de chapéu vivendo sob a zombaria da SAP e de seus coronéis que só querem saber de salários dobrados, aditivos e diárias espetaculares, enquanto suplicam por salários decentes, mas o que vem é só um Bônus enganoso que ele não levará para a sua aposentadoria, tal qual os salários duplicados dos PMs hoje lotados e lotando a SAP.

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  2. É difícil trabalhar na SAP nem concurso público as pessoas querem fazer

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