A PENITENCIÁRIA FEMININA DE PIRAJUÍ E AS DUAS HORAS DE AMOR
As unidades prisionais do Estado
Mantém informações geralmente restritas;
Principalmente quando envolvem os presos
E consequentemente as visitas.
Nos finais de semana há clima de festa
Animosidades e brincadeiras;
E os presos recebem seus pais, seus filhos
E principalmente suas companheiras.
Lá dentro as celas eles dividem com lençóis
Pra ter o momento com suas visitas;
Iguais as tendas de Beduínos
Daquelas que têm na Arábia Saudita.
Como os barracos geralmente são cheios
E é preciso ter muito decoro em volto;
O preso namora uns quinze minutos
E em seguida libera o espaço pra outro.
Nas unidAdes femininas é diferente
Desde o espaço sereno ao lugar;
O visitante chega, pega sua presa
E tem tempo de sobra pra namorar.
Entretanto em Pirajuí, na penitenciária feminina
O trabalho tem sido uma dura aflição;
Porque, além de não ter funcionários
São duas horas de visitação.
O visitante chega, passa pela revista
Recebe sua presa e aguarda os demais;
Até que após serem liberados
A guarda do posto conduz os casais.
Ao chegar no local ela abre as celas
E discretamente averigua o local;
Libera os pombinhos o seu aposento
Para seu enlace nupcial.
Duas horas depois a guarda estressada
Retorna amolada ao mesmo lugar;
Fazendo de volta o mesmo trajeto
Com outros casais para namorar.
Mas certa guarda que trabalha em Pirajuí
Falou esses dias com uma amiga;
Que ouviu uns barulhos vindo de dentro
Mas não soube dizer se estava tendo uma briga.
Ouviu também que uma batida contínua
Passou a aumentar de dentro da cela;
E temeu se era ela batendo nele
Ou se era o ele batendo nela.
Como o tempo de visita é muito longo
Diferentemente de outros presídios;
O medo das guardas é que tal violência
Possa acabar num feminicídio.
Elas reclamam que duas horas de amor
Com a disposição que o casal tiver;
É o suficiente pra uma mulher acabar com um homem
E um homem acabar com uma mulher.
Preocupado o Diretor de disciplina
Falou que assim que acabar o mês de julho;
Vai colocar um abafador nas janelas
Pra guarda lá fora não ouvir o barulho.
Mas a guarda falou que independente
Do barulho que vem lá de dentro da cela;
Ela prefere ouvir os gritos da presa
Que ouvir as risadas da Graziela.
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