O CDP DE TAUBATÉ, O ÁUDIO MISTERIOSO E A PERGUNTA QUE NÃO QUER SE CALAR



O CDP de Taubaté é uma cadeia distante

Onze minutos do centro da cidade;

E considerada uma cadeia antiga

Com vinte e sete anos de idade.


Acontece que num desses dias atrás

Em meio a uma estranha conturbação;

Chegou um caquético depauperado

E foi pago na inclusão.

 

Ao ver a pasta do meliante

Como fora em tantas as vezes;

Viu o Diretor de disciplina

Que se tratava de um artigo duzentos e treze.

 

Apresentando crises de convulsão

O Diretor pediu que expedissem uma guia;

E vendo o estado aviltante do homem

O colocou isolado na enfermaria.

 

Conhecedor do sistema o Diretor de disciplina

Que sempre visou afastar o perigo;

Sabe o que é a cadeia,

O que é a bandeira e o que é o artigo.

 

Feitos os devidos procedimentos

E fazendo o que se deveria fazer;

Levaram o artigo pra uma outra unidade

Que recusou de o receber.

 

Ao retornar para Taubaté o artigo

Lânguido e todo debilitado;

Foi levado às pressas para o PS

Onde acabou ficando internado.

 

Foi então que alguém, não se sabe como

E nem se sabe com qual intenção;

Soltou um áudio falando que o artigo

Teria sido abusado num pavilhão.

 

O áudio que até então é um mistério

Fruto da ideia de um infeliz;

Viralizou pelo Vale do Paraíba

E chegou até às mãos do Juiz.

 

Que deu pulo de raiva e pediu explicações

Em meio à fumaça e à cortina;

E até agora ninguém sabe porque

Pediram a cabeça do Disciplina.

 

Segundo um guarda que ali trabalha

Esse caso está muito confuso;

Com provas que o artigo não foi pro raio

E por isso não pôde ter sofrido o abuso.

 

Teria ocorrido algum infortúnio

Na troca revolta de um fogo amigo;

E alguém gravou e soltou o áudio

Porque sentiu piedade do artigo?

 

Ou o artigo fingindo dissimulado

Como houvera chegado na inclusão;

Pra encobrir suas culpas achou de falar

Que foi abusado no pavilhão?

 

Sem uma profícua investigação

Com a ampla defesa e o contraditório

O Disciplina do CDP de Taubaté

Foi pego pra bode expiatório.

 

Porque na SAP e na Corevale

Sempre foi como o sistema quis;

E vale mais a palavra do preso

Ou os gritos que dá um juiz.

 

O que se espera se é que há justiça

Já que está tudo documentado;

É saber se foi na rua ou se foi na cadeia

Que o “coisa” foi abusado.

 

Descobrir quem foi o autor do áudio,

Se foi apenas uma brincadeira;

Não ficar querendo pôr panos quentes

E parar de tampar o sol com a peneira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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